segunda-feira, 27 de abril de 2020

Como Nossos Pais: Significado de música que vai te surpreender. Uma das músicas mais famosas da MPB

Significado de música que vai te surpreender
Créditos: Divulgação

O conflito de gerações cantado em Como Nossos Pais

A canção escrita por Belchior e interpretada por Elis Regina é uma das mais importantes da história da MPB e faz duras críticas ao período militar e às pessoas que viveram esse período. Belchior chegou a descrevê-la como uma canção amarga, que questiona a acomodação.

Como Nossos Pais: saiba o significado de uma das músicas mais famosas da MPB

Analisando letras · Por Camila Fernandes

13 de Agosto de 2019, às 07:00

Fonte: Letras

A música foi escrita num período conturbado da história brasileira, bem no meio da ditadura civil-militar, e isso influenciou bastante na composição de Belchior, assim como em várias outras canções da época. 
Quer entender o significado da música Como Nossos Pais? Se liga nessa análise!

Entenda o significado de cada verso de Como Nossos Pais

Como dissemos, Como Nossos Pais fala sobre um problema muito comum em qualquer época da história: o conflito de gerações. Só que, com toda a repressão na ditadura, esse conflito foi acentuado e gerou um incômodo muito maior. 
É justamente essa a palavra que Belchior usou para descrever a sensação trazida pela canção: incômodo. Ele descrevia Como Nossos Pais como uma música amarga, que questiona a acomodação. Se quiser saber mais, já falamos sobre as músicas da época da ditadura no blog!
Dá o play para ouvir enquanto analisamos verso por verso e entenda direitinho o significado de Como Nossos Pais:



Primeira parte: conselhos

Não quero lhe falar
Meu grande amor
Das coisas que aprendi
Nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Belchior começa a música nos dizendo que quer contar algo com base em sua experiência pessoal, e não no que estudou. Sabemos que, às vezes, valorizamos muito mais o conhecimento escrito do que o oral, e talvez o autor tenha tentado fazer uma crítica a isso. A música tem um tom de conselho; a princípio, é como se alguém mais velho — talvez um pai — falasse com alguém mais jovem.
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Aqui temos dois conselhos de Belchior que podemos adotar pra vida: apesar de tudo, viver a realidade é melhor do que fantasiar, e o amor é, sim, uma coisa boa.
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa
No entanto, o compositor também lembra que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa. Não sabemos se esse canto se refere à música ou a um lugar, mas o significado é o mesmo: independente do que seja, a vida das pessoas importa mais. 
Por isso, cuidado, meu bem
Há perigo na esquina
Aqui temos uma referência à violência na época da ditadura: se a vida vale mais que o canto, é preciso ter cautela para preservá-la, porque o perigo está por todos os lados.




Parte 2: crítica à juventude

Eles venceram e o sinal
Está fechado pra nós
Que somos jovens
Afinal, quem são “eles”? Pode ser uma referência aos militares, aos pais ou aos mais conservadores. Algo aconteceu e fechou a porta para a juventude. É aqui que entendemos que, na verdade, se trata de um jovem falando para outros da mesma geração.
Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço
O seu lábio e a sua voz
Falando sobre Como Nossos Pais, Belchior comentou que a música é uma crítica à inércia da juventude, que se acomodou quando não devia e parou de questionar. Esse trecho da letra pode ser percebido como uma provocação, tentando instigar o ouvinte a ir atrás do que é dele por direito. Ao mesmo tempo, pode ser entendido como uma crítica à censura das coisas mais banais, como as reuniões na rua.
Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantado
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de nova estação
Eu sinto tudo na ferida viva
Do meu coração
Belchior nasceu em Sobral, no Ceará, e se mudou para o sudeste em busca de melhores oportunidades de carreira. Sabemos que a repressão durante a ditadura era mais forte nas grandes cidades, e talvez alguns considerassem uma boa ideia voltar para o interior.
No entanto, Belchior, que era amante da arte e estava sempre trabalhando em algo novo, mostra na música sua crença na mudança e esperança por dias melhores.
Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais
Voltamos ao questionamento com a juventude: resumindo em poucas palavras, o cantor nos diz que faz muito tempo que ninguém faz nada, que todos estão acomodados e que lembrar dos tempos em que a juventude se reunia é o que mais dói nele.

Manifestação estudantil durante a ditadura militar


Parte 3: repetição do comportamento dos “pais”

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais
Aqui chegamos à conclusão da música, depois de tudo o que já foi dito e questionado, ele conclui que a juventude se tornou justamente aquilo que criticava. Esse parágrafo precisa do anterior para ser entendido: os jovens se reuniam, lutavam nas ruas, mas hoje já não lutam mais. Depois de tudo o que fizeram, acabaram se acomodando e cedendo ao conformismo da geração anterior.
Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Apesar de os jovens afirmarem que algo mudou, na verdade são só as mesmas coisas que aparecem disfarçadas de novidade.
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando
Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem
Mais uma vez o tom de conselho fica claro. O compositor reforça suas ideias, contra-argumenta e ressalta a necessidade de esperança.
Hoje eu sei
Que quem me deu a ideia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando o vil metal
Quem quer que seja que inspirou a consciência crítica no autor, hoje está parado em casa, talvez tenha se conformado com a situação atual ou até aprendido a gostar dela. Vil metal é uma forma poética de se referir ao dinheiro. 
De certa forma, a música é um pedido para que a juventude dê continuidade a seu papel de contestar e buscar renovação, seguindo a consciência que foi despertada e não se deixando levar pelo comodismo de se contentar com o que foi feito e estabelecido pela geração passada. 

Belchior e Elis Regina: versões de Como Nossos Pais

Antônio Carlos Belchior nasceu em Sobral, Ceará, em 1946, e faleceu em 2017, deixando um acervo extenso de música inéditas. Ele aprendeu música ainda criança e começou sua carreira cantando em festivais. O cantor fez parte do movimento O Pessoal do Ceará, ao lado de nomes como Fagner e Ednardo. Como compositor de sucesso, teve canções gravadas por inúmeros artistas, mas a maior intérprete de suas música foi Elis Regina. 
Não há dúvidas de que grande parte do sucesso de Como Nossos Pais veio por causa da interpretação dramática dada por Elis. A cantora nasceu em 1945, em Porto Alegre, bem longe de Belchior. Os dois se conheceram enquanto ele assistia uma gravação de Vinicius de Moraes e Toquinho no mesmo local em que Elis ensaiava.
A cantora convidou Belchior para ir até sua casa e gravar algumas músicas, sem saber que de lá sairia um dos maiores sucessos da carreira deles. Além de Como Nossos Pais, ela também gravou outra composição de Belchior, a animada Velha Roupa Colorida.

Elis Regina interpretou músicas de vários outros grandes compositores, como Tom Jobim, Gilberto Gil e Beto Guedes. Com voz potente e interpretações cheias de emoção, ela ganhou cinco vezes o Troféu Imprensa de melhor cantora e, se ainda estivesse viva, certamente teria ganhado mais.

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

2019 - Roberto Carlos Especial - Além do Horizonte - 50 Anos

2019  -  Roberto Carlos Especial  -  Além do Horizonte  -  50 Anos







2019 - Roberto Carlos Especial - Além do Horizonte - 50 Anos

Especial 50 Anos


1. Abertura 0:00
2. Emociones / Emoções
0:29
3. Além do Horizonte
3:40
4. Detalhes
8:16
5. Ilegal, Imoral Ou Engorda
14:29
6. Ese Tipo Soy Yo / Esse Cara Sou Eu
18:55
7. O Calhambeque
23:37
8. Coimbra
26:28
9. Desabafo
29:48
10. Que Será De Ti / Como Vai Você
36:04
11. Amada Amante
40:02
12. Olha
40:42
13. Propuesta / Proposta
44:55
14. As Baleias
49:10
15. El Dia Que Me Quieras
54:00
16. Amigo
55:08
17. Maria e o Samba
57:50
18. Sua Estupidez
1:01:25
19. And I Love Her
1:06:12
20. Como É Grande O Meu Amor Por Você
1:07:23
21. Eu Te Amo Tanto
1:11:10
22. Jesus Cristo
1:13:43

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Bairro da Liberdade: cultura oriental no centro de São Paulo


Bairro da Liberdade: cultura oriental no centro de São Paulo

No último mês se comemorou 110 anos da imigração japonesa no Brasil! No dia 18 de junho de 1908, 781 imigrantes japoneses chegaram ao porto de Santos a bordo do navio Kasato Maru.
Hoje Essepê te leva para conhecer o bairro da Liberdade, conhecido como o bairro oriental de São Paulo, com seus templos, supermercados, academias de artes, estabelecimentos e uma enorme variedade de restaurantes.
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Passeando hoje pela Liberdade, é difícil imaginar que até o século XIX o bairro era tomado por chácaras com plantações de chá e bosques de jabuticabeira. Pois é! O cenário mudou drasticamente e a região passou a ser habitada por imigrantes italianos e portugueses. Só depois chegaram os imigrantes japoneses.
Pelé Beijoqueiro
“Pelé Beijoqueiro” e semáforo com a imagem das luminárias “suzurantô” (esquina da Galvão Bueno com a Barão de Iguape)
“A necessidade da emigração por parte dos japoneses se deu por causa de uma superpopulação no país no início do século XX, somada a uma escassez de alimentos e um alto nível de desemprego causado pela mecanização da agricultura. Assim, o Brasil, que buscava mão de obra para o trabalho agrícola (principalmente nas plantações de café do interior paulista), foi um dos principais destinos para esses emigrantes.” (Biblioteca Mario de Andrade)
O Museu Histórico da Imigração Japonesa, no 7º, 8º e 9º andar do prédio da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Rua São Joaquim, 381) conta a história com mais detalhes. Hoje só o 7º andar estava aberto, pois os outros dois estavam em reforma, por isso a entrada foi gratuita. Normalmente são 12 reais. Quando o museu estiver pronto, faço um post exclusivo para ele! 😉
Kasato-Maru no Museu da Imigração Japonesa
Kasato-Maru: Miniatura do navio que aportou em Santos em 1908 trazendo os primeiros 781 imigrantes japoneses
Muitos dos japoneses que foram trabalhar nas lavouras de café não suportaram a carga de trabalho nas fazendas do interior, então vieram para São Paulo e aqui se adaptaram aos serviços da cidade (marceneiros, pintores, caseiros etc.).
“O primeiro ponto de encontro dos japoneses que vinham da lavoura para a cidade, foi uma casa alugada pelo Comercial Fujikasi, na Rua de São Paulo nº 20, transformada numa espécie de pensão, por um casal que preparava as refeições para os funcionários daquela empresa. Havia uma marcenaria no nº 15, um pessoal vindo de Kagoshima. No nº 41 da Rua dos Estudantes, pessoal da província da Fukushima. Todos esses serviam como alojamentos. Eram pequenos quartos nos porões, ocupados às vezes por seis, até oito pessoas.” (Feira da Liberdade)
Darumá
Darumá no jardim oriental
E foi assim que nasceu a cultura oriental – a princípio apenas japonesa – na cidade de São Paulo. As crianças podiam frequentar escolas de ensino do idioma em japonês, começaram a ser fabricados shoyo, tofu e outros produtos de origem japonesa, eram publicados jornais escritos em japonês, jogava-se yakyu (beisebol)…
A colônia japonesa vivia razoavelmente bem até o Governo de Vargas romper as relações diplomáticas com o Japão após o início da guerra do Pacífico, em 1942. Por conta disso, o Consulado Geral do Império do Japão em São Paulo foi fechado e foi decretada a expulsão dos imigrantes japoneses que aqui residiam. A situação se normalizou somente após a rendição do Japão na Segunda Grande Guerra, em 1945.
Praça da Liberdade
Semáforo com o símbolo do arco da Liberdade e Banco Bradesco, ao fundo, com arquitetura asiática
Para quem ainda não conhece a Liberdade, não pode deixar de passar pela Rua Galvão Bueno! É a principal rua do bairro e o paraíso das lojinhas. Aqui você vai encontrar cosméticos, comidinhas, papelarias, utensílios domésticos, quinquilharias, livrarias… enfim! A grande variedade de produtos é o ponto forte das lojas, mas já aviso que o preço é bem salgadinho… :/
Maruso
Mercado Maruso na Praça da Liberdade: cheguei no paraíso!
A rua passou a ser o principal ponto de comércio da Liberdade após a inauguração do famoso Cine Niterói, em 1953, e no seu entorno várias lojas começaram a abrir. O cinema exibia semanalmente filmes produzidos no Japão. Nas décadas de 50 e 60, o programão de domingo das famílias japonesas era almoçar num restaurante – japonês, claro! – e depois pegar um cineminha. O Cine Niterói foi o pioneiro, mas depois foram abertas mais três salas de cinema: Nippon (Rua Santa Luzia),  Joia (Praça Carlos Gomes) e Tóquio (Rua São Joaquim).
Praça da Liberdade
Praça da Liberdade com a feirinha ao fundo
O estilo oriental do bairro da maneira como o conhecemos hoje foi, na verdade, planejado para fins turísticos, sabiam? A ideia era transformar a Liberdade numa espécie de China Town (que nem em Nova Iorque ou em São Francisco), e na década de 70 o projeto foi colocado em prática, mesma década em que a estação de metrô Liberdade foi construída. As principais ruas do bairro – Galvão Bueno, Tomás Gonzaga, Estudantes e Glória – receberam as lanternas “suzurantô” (essas vermelhinhas que dão todo o charme do bairro).
Suzurantô
Suzurantô: as luminárias mais charmosas de São Paulo
O bairro deixou de ser um reduto exclusivo dos japoneses e passou a ser procurado também por chineses e coreanos, dentre outros imigrantes vindos de países asiáticos. Por isso a fama de bairro oriental de São Paulo.
A grande atração da Liberdade é a Feira Oriental na Praça da Liberdade (logo na saída do metrô) que começou a ser organizada em 1975.
Feirinha
Parte da feirinha que serve comida
Ao caminhar pela feirinha abarrotada de gente nem dá para imaginar que ali criminosos foram condenados à forca nos tempos imperiais. Por isso, antes de ser Praça da Liberdade, era Largo da Forca ou Praça dos Enforcados. E antes das multidões serem formadas por turistas e visitantes, era de pessoas curiosas para assistir aos enforcamentos. No cemitério dos enforcados foi construída uma pequena igreja, em 1774, para consolar as almas aflitas que está lá até hoje!
A feira começa a ser montada a partir das 9h (também aos sábados). A princípio, foi criada para expor trabalhos dos imigrantes orientais, mas hoje em dia encontramos de tudo. Além de produtos típicos, também encontramos sabonetes, velas, artigos em couro, bijuterias, plantas, esculturas, quadros… enfim! Tudo aquilo que nenhuma feirinha que se preze pode deixar de ter.
O maior destaque é a culinária. E taca-lhe óleo nessa feirinha, Marcos! Esquece a dieta. É domingo! Escolha a fritura de sua preferência, pegue um banquinho e sente no chão. Ou na escada no metrô. Ou em qualquer metro quadrado que você tiver a sorte de encontrar. E bom proveito! 🙂
Ou faça como eu e escolha um dos milhares restaurantes asiáticos para experimentar algo totalmente diferente. No meu caso, foi esse hot pot vegano no Top Pot (Rua da Glória, 288), um restaurante Taiwanês super fofo. Inclusive a forma de comer foi inusitada para mim. A comida vem mergulhada num caldo fervendo com o fogo ligado e tudo! Quando você achar que o ponto está bom, peça para o garçom desligar e voilà! Sirva-se da maneira que melhor lhe convier. Eu fui pegando os leguminhos, um de cada vez, passando no molho de gergelim e comendo com o arroz. Comi o harusame (aquele macarrão transparente) no final. Aprovado!
Top Pot
Hot pot vegano
Fonte: Na Essepê

NATHALIA SARTARELLO


Paulistana entusiasta de fotografia à caça de roteiros culturais e gastronômicos.
Site maravilhoso com excelentes reportagens e fotografias idem.