sábado, 2 de junho de 2018

Globo Repórter - Serra do Mar - 01/06/2018



Globo Repórter - Serra do Mar - 01/06/2018 Globo Repórter segue rastro do maior felino das Américas: a onça pintada Uma longa cortina de montanhas e floresta debruçada sobre o mar. Litoral de São Paulo, coração da parte mais preservada da Mata Atlântica. O Parque Estadual Serra do Mar fica a mais de 700 metros de altitude. No Núcleo Curucutu, o desafio da equipe é seguir o rastro do maior felino das Américas: a onça pintada. A região é a maior e mais preservada área da Mata Atlântica do Brasil. O abrigo da rainha, a floresta, fica a exatos 30 quilômetros de São Paulo, a capital. O maior felino das florestas brasileiras vive em uma área preservada da Serra do Mar, bem perto da maior cidade do país. Mas, por enquanto, a onça pintada está bem protegida. 'Jardineiro' da floresta, muriqui-do-sul ‘planta’ árvores dispersando sementes Simpático equilibrista, o muriqui-do-sul é o maior macaco das Américas. O nosso muriqui é mestre na arte de fazer rebrotar a mata. Os muriquis são considerados bons jardineiros da Mata Atlântica. Não só porque cuidam bem da floresta, mas, como se alimentam de frutas, espalham as sementes de várias espécies de árvores. Os animais dispersam a semente até dois quilômetros de distância do lugar onde eles se alimentaram. Pode-se estimar - com alguma precisão – que os muriquis plantam mais de 50 espécies de árvores. O muriqui é um animal exclusivo da Mata Atlântica, não há em nenhuma outra floresta. Eram 400 mil quando o Brasil foi descoberto. Hoje, são apenas 1.500 vivendo na Serra do Mar. Segundo o professor Talebi, atualmente, o maior inimigo do muriqui é o desmatamento. A caça, que também é responsável pela matança do animal, felizmente diminuiu. Árvore rara é principal sustento de famílias em comunidade de Ubatuba Ameaçadas de extinção, a juçara é um prato saboroso para 70 animais silvestres e também ajuda a alimentar o homem.
O milagre da multiplicação dos frutos. A Mata Atlântica, apesar de tão maltratada, aos poucos está renascendo. A pequena comunidade de moradores de Ubatumirim, município de Ubatuba, litoral de São Paulo, vive da agricultura, mas preserva com carinho uma palmeira que já foi extinta em outras regiões do Brasil: a juçara.
A árvore é um prato saboroso para 70 animais silvestres e ajuda a alimentar o homem também. No caso de Ubatumirim, é o principal sustento dos moradores. Cada pé de juçara tem 4.800 coquinhos mais ou menos. Mas as famílias só colhem um quarto disso. Como vivem em harmonia com a natureza, a comunidade deixa a maior parte da safra para os animais silvestres.
A juçara está na lista das espécies criticamente ameaçadas de extinção. Apesar de ser proibida a sua derrubada, é perseguida pelas indústrias clandestinas de palmito. Mas em Ubatumirim, os moradores descobriram que é muito mais vantajoso colher os frutos e manter a palmeira preservada.
A Serra do Mar é muito mais que um deslumbrante cenário. É também a esperança de ver um dia a floresta mais ameaçada do Brasil retomando suas áreas devastadas, recebendo a atenção que merece e o respeito dos brasileiros.

Sapinho recém-descoberto na Serra do Mar possui toxina do baiacu

Até 2014 nem a ciência sabia da existência do pingo de ouro. Animal raro é menor do que uma unha e só existe na região.


Um morador da mata que há cerca de 40 milhões de anos vivia no anonimato. Tão escondido que, até 2014, nem a ciência sabia da existência dele. O Globo Repórter visita as matas do Núcleo Cunha, no Parque Estadual da Serra do Mar. Este animal minúsculo, raríssimo, só existe nesta região. E nas alturas, entre 900 e mil metros. É o sapinho pingo de ouro.

Menor do que uma unha, eles têm uma toxina na pele, que é a mesma do peixe baiacu. Os efeitos sobre os animais e homens ainda não são conhecidos, mas dá para saber que eles são tóxicos pela coloração forte alaranjada.
A notícia que as biólogas trazem não poderia ser melhor: na área onde vivem os sapinhos a mata está intocada. Essa espécie, que depende de florestas úmidas em bom estado de conservação, só ganhou reconhecimento científico depois de um exaustivo trabalho.

Estuário de Cananéia é um dos paraísos do boto cinza

Pesquisadores calculam que pelo menos 400 animais vivem hoje na região. Em um ambiente saudável como este, o boto cinza vive entre 30 e 35 anos.

Entre a terra e o mar, a Mata Atlântica vira uma floresta inundada. É o manguezal, um ecossistema cheio de vida. Na região de Cananéia, ele se estende por uma faixa de 150 quilômetros e é um dos mais preservados da costa brasileira. Admirável multiplicação de nutrientes, é um banquete inesgotável para pássaros e aves. Além da fartura, garantia da renovação: ali, os guarás fazem seus ninhos e se criam até alçar voo e ganhar o mundo
No vai e vem das marés, surgiu outra boa notícia: o estuário de Cananéia é um dos paraísos do boto cinza. Inteligente, o animal escolheu o lugar certo para morar. Com tantos nutrientes que vêm do mangue, comida tem de sobra. Os pesquisadores calculam que pelo menos 400 botos vivem hoje na região. A reprodução é lenta: apenas um filhote a cada três anos. Em ambiente assim, saudável, o boto cinza vive entre 30 e 35 anos.
Em dez anos de estudo, os pesquisadores fizeram muitas descobertas. A mais importante foi a identificação de 148 espécies de aves, que antes da pesquisa nunca foram vistas nesta região. Um aumento de mais de 50% em relação ao número de espécies que eram conhecidas na Serra do Mar.
Serra do Mar é uma das áreas mais preservadas de Mata Atlântica

Na região, que é um patrimônio para os brasileiros, biólogos estudam a profunda ligação entre os animais e a floresta.

O futuro da Mata Atlântica. Como anda a saúde desse patrimônio tão importante para os brasileiros? No Parque Estadual Carlos Botelho, no Sul de São Paulo, os biólogos estudam a profunda ligação entre os animais e a floresta. Já são muitas as descobertas. Um não vive sem o outro: os animais morreriam sem a floresta e a floresta sem os animais também não teria vida. O biólogo Mauro Galetti explica que, onde os grandes animais conseguem circular há grande diversidade de espécies de árvores e isso é garantia de vida saudável da Mata Atlântica. A pesquisa ainda não foi concluída, mas a experiência do laboratório vivo, que simula o que acontece com a Mata Atlântica sem os grandes mamíferos, já indica um sinal de alerta, um grito de socorro. Quando o Brasil foi descoberto, a Mata Atlântica era uma das mais ricas e mais belas florestas do planeta. Se estendia frondosa e saudável por 17 estados brasileiros, do Piauí ao Rio Grande do Sul. Hoje, restam 10% da cobertura original. Mas onde ficam as áreas mais preservadas? “A Serra do Mar foi preservada por conta do relevo acidentado. Mas nós temos ainda uma ameaça muito grande nas bordas. Então, é muito importante que as cidades também planejem o seu crescimento”, explica a diretora-executiva SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Estação Moema passa a funcionar a partir das 9 horas no dia 4 de junho

Estação Moema passa a funcionar a partir das 9 horas no dia 4 de junho

Operação assistida é ampliada em duas horas e vai até às 16 horas de segunda a sábado
Conforme antecipado pelo site, a estação Moema, da Linha 5-Lilás, passará a funcionar em horário ampliado em duas horas a partir da próxima segunda-feira (4). Em junho, a mais nova parada do ramal abrirá às 9 horas da manhã e fechará às 16 horas, assim como ocorreu com Eucaliptos. A diferença é que o Metrô aguardou dois meses para isso em vez de apenas um.
O funcionamento continuará sendo em operação assistida, quando não há cobrança de tarifa, mas que exige que quem embarca em Moema desça em Eucaliptos, vá até o piso dos bloqueios e pague passagem – na ida é preciso apenas mudar de plataforma.
O Metrô não informou se nessa nova fase a Linha 5 terá mudanças na operação que tornem o serviço mais eficiente. Hoje, para chegar ao bairro de Moema os trens são obrigados a revezar as vias num procedimento que amplia o intervalo e a parada das composições no caminho. Com o novo horário, essa dificuldade será maior caso não haja mudança no chamado “carrossel”, o fluxo de trens.
AACD-Servidor em breve?
Enquanto segue com as obras finais em Santa Cruz e Chácara Klabin, como mostrado nesta semana pelo site, o Metrô dá indícios que pode abrir mais uma estação da Linha 5 nas próximas semanas. Segundo ouvimos de um funcionário, a ideia seria inaugurar a estação AACD-Servidor antes das demais. A parada é a próxima após Moema e conta com uma estrutura de vias mais ágil para facilitar sua operação. Ela também já se encontra finalizada há meses e será de grande valia para os usuários dos três hospitais do entorno, Servidor Público, Edmundo Vasconcelos e AACD.
A informação, inclusive, consta do painel dos trens que operam no trecho, conforme imagem publicada numa rede social recentemente. Espera-se que o teste com o sistema CBTC programado para o último domingo e que foi cancelado, seja remarcado para este feriado. Com ele, o Metrô deve checar as condições de funcionamento das vias e também o fornecimento de energia no trecho.

Veja como será a nova estação Chácara Klabin da Linha 5

Veja como será a nova estação Chácara Klabin da Linha 5

Aguardada para julho, parada fará a interligação da Linha Lilás com a Linha 2-Verde e deve movimentar cerca de 100 mil pessoas por dia

29 de Maio de 2018  Ricardo Meier





O ar quase bucólico e residencial próximo à rua Vergueiro e mesmo a atual estação da Linha 2-Verde em nada antecipam o “formigueiro humano” que circulará diariamente a cerca de 30 metros da superfície daquela região. Estamos falando de Chácara Klabin, futura estação terminal da Linha 5-Lilás e ponto de conexão com sua homônima.
Prevista para ser inaugurada em julho, juntamente com a nova estação Santa Cruz, a nova parada guarda significativas diferenças com a primeira, cujo projeto original nunca previu uma integração. O site Metrô CPTM conheceu a nova estação Chácara Klabin nesta segunda-feira (28), a poucas semanas de sua conclusão. Como em qualquer obra na reta final há muita confusão, equipamentos, peças e pequenos serviços em execução, mas foi possível entender como ela melhorará a mobilidade na rede metroferroviária.
E não é à toa: a estimativa do Metrô é de que Chácara Klabin movimente diariamente cerca de 100 mil pessoas. É mais do que a soma da Arena Corinthians e da Allianz Parque, do Palmeiras, os mais novos estádios de futebol da capital paulista. Apesar disso, ela deverá ser a terceira mais movimentada da linha, atrás de Capão Redondo, na outra ponta, e claro de Santa Cruz. Veja a seguir nosso relato, imagens e o vídeo:
Planejamento que deu certo
A maior surpresa em nossa visita foi constatar que a ligação entre as duas plataformas não é apenas espaçosa mas também curta. Serão necessários apenas dois lances de escada para chegar à Linha 2 a partir da plataforma da Linha 5. Todo o fluxo se dirigirá para a ponta ‘norte’ da estação onde estão as 12 escadas rolantes e dois elevadores que levam ao mezanino. De lá o passageiro seguirá nos acessos já previstos para a Linha 2. E aí está a beleza do projeto. Ao contrário de outras estações como Pedro II (Linha 3) em Chácara Klabin o projeto original foi aproveitado como planejado.
Parte da estação da Linha 5 foi construída numa estrutura já existente da Linha 2, inclusive o elevador que leva até a plataforma da estação original atenderá ambas as linhas. O benefício disso é que o usuário perderá pouco tempo para mudar de linha, ao contrário de Santa Cruz, onde dois fatores complicaram a ligação. O primeiro é que a estação da Linha 1-Azul teve de receber pesadas adaptações para comportar o fluxo de baldeação, mas o principal problema é que, por ficar numa elevação, a parada da Linha 5 precisou ser profunda. Com isso, será necessário subir cinco pisos para chegar ao nível das plataformas da Linha Azul, um exercício semelhante ao realizado na estação Pinheiros da Linha 4-Amarela.
Como vai aproveitar a infraestrutura da primeira estação, Chácara Klabin da Linha 5 não acrescentará bloqueios ou nova entrada aos passageiros. Nem mesmo o conhecido edifício técnico de outras estações será preciso já que irão aproveitar a estrutura da Linha 2, mas com separações por conta da concessão da Linha 5 para a Via Mobilidade.

O passageiro que sair da Linha 2 descerá uma das escadas existentes no centro da plataforma e encontrará uma linha de contadores (semelhantes às catracas de bloqueios mas sem cobrança de passagem) em forma de “U”, bem ao lado da sala do SSO. Assim como Santa Cruz e Hospital São Paulo, Chácara Klabin possui uma plataforma escavada em formato elíptico, mas com pé direito bastante alto. O que seria um poço circular central como em Pinheiros nesse caso virou uma saída de emergência e salas para equipamentos e ventilação.
Conforme prometido pela Secretaria dos Transportes Metropolitanos, a estação recebeu as portas de plataforma, que estão em falta em outras paradas. Curiosamente, o nome que constava nas caixas era de “Hospital Station”, talvez se referindo à Hospital São Paulo, que não terá PSDs no início. Segundo o Metrô, o trabalho de montagem começou em Santa Cruz primeiro.
Horizonte de inauguração
Apesar de questionado, o Metrô não forneceu mais detalhes sobre a possibilidade de inauguração da estação, além da informação do mês de julho. No dia da visita, havia muito trabalho a fazer na instalação das escadas rolantes, elevadores e outros sistemas como o de bloqueios/contadores. Era possível ver os espaços para hidrantes e extintores assim como a enorme tubulação de ventilação e exaustão na cor cinza. Ela deve ser instalada nas próximas semanas assim como parte dos reparos e acabamento da parte civil também ocorrerá na reta final.
Como as fotos revelam, o consórcio responsável pela obra já havia iniciado a instalação das placas de comunicação visual, um dos últimos serviços. É possível crer que a estação poderá ser finalizada em junho para permitir que os testes com os trens (e parte mais vital para a inauguração) sejam realizados. A contagem regressiva para a “invasão dos 100 mil” está chegando ao fim.
Colaborou Fernando Galfo

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Globo Repórter – Japão II, 25 05 2018





Globo Repórter chega à maior cidade do mundo: Tóquio
Segundo programa especial sobre o Japão vai até a capital onde tradição e tecnologia se unem num casamento perfeito.



Sempre Ao Seu Lado - Dublado. Filme completo em Hd.



Parker Wilson (Richard Gere) é um professor universitário que, ao retornar do trabalho, encontra na estação de trem um filhote de cachorro da raça akita, conhecido por sua lealdade. Sem ter como deixá-lo na estação, Parker o leva para casa. Até que um acontecimento inesperado altera sua vida.


Globo Repórter chega à maior cidade do mundo: Tóquio


Globo Repórter chega à maior cidade do mundo: Tóquio
Segundo programa especial sobre o Japão vai até a capital onde tradição e tecnologia se unem num casamento perfeito.




O Globo Repórter desta sexta (25/5) chega à maior cidade do mundo:Tóquio, a capital onde tradição e tecnologia se unem num casamento perfeito.
Quarenta milhões de habitantes - e oportunidades para todos.
Quem são os brasileiros que enriqueceram trabalhando lá?
O operário que foi para ficar apenas dois anos agora é dono de uma fábrica de trens.
O projetista que não encontrou vagas no Brasil hoje desenha os trens que rodam pelos trilhos japoneses.


Aos 77 anos, Seu Tamura nunca parou. Não teve tempo nem de conhecer o próprio país.
Os jovens trabalham demais. Apenas um em cada quatro sabe o que é felicidade.
Mas Tóquio busca o novo a cada minuto. Uma terra zen e frenética ao mesmo tempo.
Os sabores numa feira de rua.
A beleza da plantação de arroz iluminada por duas mil lâmpadas.
Fukushima, sete anos depois. Nossos repórteres caminham pela região devastada pelo tsunami. E entram na zona de perigo radioativo.
E um terraço nas alturas: o espetáculo de observar um vale acima das nuvens.
Sexta (25), no Globo Repórter.

domingo, 20 de maio de 2018

A nova face do eleitor: o envelhecimento chega às urnas (O Globo)

A nova face do eleitor: o envelhecimento chega às urnas (O Globo)

População com mais de 60 anos supera a de jovens entre 16 a 24 anos
Por Daiane Costa e Igor Mello, de O Globo
RIO – Ainda que prevaleça a ideia de que o Brasil é um país de jovens, que são decisivos nos processos eleitorais, dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) compilados pelo demógrafo José Eustáquio Alves, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE, mostram que a democracia brasileira tem uma face cada vez mais madura. Os idosos já representam 18,6% do eleitorado, ou 27,3 milhões de votos, enquanto que os jovens, de 16 a 24 anos, somam cinco milhões a menos: são 22,4 milhões ou 15,3% dos aptos a votar em outubro. Essa diferença é capaz de definir uma eleição. A mudança demográfica do eleitorado vem sendo percebida desde 2014, quando os dois grupos praticamente ficaram empatados no peso que têm nas urnas. Naquele ano, jovens representaram 16%, enquanto eleitores com 60 anos ou mais somaram 17%.
Conservadores, mas democráticos
Essas novas proporções caminham juntas com a aceleração do envelhecimento da população, que ficará ainda mais evidente a cada eleição. O professor estima que o Brasil se tornará oficialmente um país envelhecido em 2031, quando o número total de idosos vai superar o de crianças e adolescentes de zero a 14 anos. Um ano antes, o eleitorado com 60 anos ou mais já terá dobrado em relação ao grupo que tem entre 16 e 24 anos.
— Em 2014, a vantagem dos idosos era muito pequena. Um empate técnico, estatisticamente. Essa é a primeira eleição com um aumento consistente de eleitores idosos, em que são maioria evidente. E, como vivemos cada vez mais, esse não é um eleitor que vai embora. Os candidatos terão de trabalhar questões próprias dos idosos e conhecer a realidade deles se quiserem conquistar e manter esse voto na eleição seguinte —observa o autor do estudo.
Na avaliação de cientistas políticos, ainda que idosos sejam mais conservadores em relação a valores e ao comportamento social, defendem o regime democrático e querem estabilidade econômica. Características que sugerem, nas urnas, a escolha de um candidato de centro por esse grupo.
— Nossas pesquisas indicam que indivíduos a partir dos 55 anos são os mais contrários à legalização do aborto, ao casamento de pessoas do mesmo sexo e à adoção de criança por casal gay. Mas também são os que mais apoiam o regime democrático como forma de organizar o sistema político, devido à experiência que tiveram nos anos de ditadura— complementa Rachel Meneguello, pesquisadora do Centro de Estudos de Opinião Pública da Unicamp.
O fato de as mulheres serem maioria no eleitorado idoso (55%) também reforça a tendência ao voto no centro, avalia David Verge Fleischer, professor da Universidade de Brasília (UnB).
— As mulheres tendem a ser mais ponderadas em seus votos do que os homens. Mas ainda não vejo um candidato (a presidente) com esse perfil. Do outro lado, as pesquisas de opinião têm mostrado que os jovens tendem a votar em um candidato como o (Jair) Bolsanaro, porque é um grupo que nunca ouviu falar em regime militar — observa o professor, em referência ao pré-candidato do PSL à Presidência da República, que por reiteradas vezes defendeu publicamente a ação dos militares naquele período.
Pensamento equivocado sobre os jovens
A cientista política Helcimara de Souza Telles, coordenadora do grupo de pesquisa Opinião Pública, Marketing Político e Comportamento Eleitoral da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) reforça a observação de Fleischer. Ela diz que jovens podem ser mais conservadores do que seus pais:
— É um equívoco pensar que só os jovens são progressistas. Nas eleições de 2010, uma de nossas pesquisas identificou que um número considerável desse grupo estava abdicando da participação na esfera pública para atuar em associações religiosas e cuidar da vida pessoal. Achavam política algo desinteressante e apoiavam a obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas.
Para a especialista, esse desinteresse pela política pode ser maior entre os jovens das eleições deste ano, pois estão amadurecendo em um momento de profunda crise política institucional. Ela acredita que esse desencanto pode levar mais jovens de 16 a 17 anos, para os quais o voto é facultativo, a adiarem a ida às urnas. Até março, apenas 22% ou 1,5 milhão do total de adolescentes nessa faixa etária tinham título de eleitor. Já os eleitores idosos costumam comparecer em peso nas urnas.
— Nossas pesquisas pós-eleitorais, em 2010 e 2014, mostraram que, em média, 70% das pessoas com 70 anos ou mais votaram nos dois turnos das eleições — diz Rachel, da Unicamp.
Para a pesquisadora, esse comportamento eleitoral ativo reflete o amadurecimento da consciência sobre o voto fazer a diferença para o país e para a vida cotidiana, apesar de obrigatório.
O envelhecimento da população brasileira já desafia governantes a implementar novas políticas públicas, mas também provocará profundas mudanças na forma e no conteúdo dos discursos eleitorais deste ano. Para especialistas, os presidenciáveis precisarão entender o eleitor idoso. É preciso fugir de visões preconceituosas, como a de que os mais velhos necessariamente são conservadores ou votam com base em iniciativas pontuais, como as academias da terceira idade.
— Idoso nunca foi pauta no Brasil, diferentemente do que ocorre na Europa, onde as populações são mais envelhecidas. Questões como a Previdência, que se tornou um tema impopular, e ligadas à saúde, terão de entrar no radar dos candidatos — diz Helcimara de Souza Telles, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
José Eustáquio, pesquisador do IBGE, destaca que a falta de propostas concretas predomina no que diz respeito ao eleitorado mais maduro.
— Até agora, quando um político quer falar para o idoso, só quer discutir coisas boas: festa de terceira idade, atividades culturais, turismo para o que chamam de “melhor idade” — critica José Eustáquio.
Embora seja necessária a longo prazo, a reforma da Previdência se tornou um problema para os pré-candidatos à Presidência. Abortada pelo presidente Michel Temer em fevereiro por falta de apoio no Congresso e pela intervenção federal no Rio, a proposta é polêmica especialmente entre o eleitor mais velho, mais preocupado com o bolso. A tendência é que os candidatos fujam desse debate, como mostrou reportagem do GLOBO no domingo passado.
— É uma reforma necessária, mas o governo atual encaminhou essa questão de uma maneira muito ruim. Há muita rejeição entre as pessoas acima dos 55 anos, por causa da possibilidade de aumentar a idade mínima — avalia David Fleischer, professor da UnB.
O desempenho entre os idosos pode ser um trunfo ou um entrave para a viabilidade das candidaturas presidenciais. De acordo com a última pesquisa Datafolha, divulgada em abril, tanto Jair Bolsonaro (PSL) quanto Marina Silva (Rede), líderes nos cenários sem o ex-presidente Lula (PT), têm desempenhos aquém de suas médias no eleitorado acima de 60 anos: Bolsonaro atinge 11% das intenções de voto entre os idosos no cenário considerado pelo GLOBO, enquanto, no geral, chega a 17%; já Marina faz 13%, abaixo dos 15% que registra no conjunto do eleitorado.
Em busca de uma arrancada que os coloque no segundo turno, Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB) têm seus melhores desempenhos justamente entre os mais velhos: o pedetista chega a 11% entre os idosos, acima dos 9% que registra no geral; já Alckmin marca 9% entre os mais velhos, contra 7% entre todo o eleitorado.
PRÉ-CANDIDATOS APRESENTAM IDEAIS
O GLOBO procurou os quatro presidenciáveis, os mais bem colocados na última pesquisa do Datafolha, para entender suas estratégias de campanha e antecipar as propostas voltadas ao público idoso que serão incluídas em seus planos de governo.
Apostando nesse segmento como um trunfo para se viabilizar, Alckmin destacou suas realizações à frente do governo de São Paulo, e prometeu iniciativas específicas para essa faixa etária: “Em São Paulo, já avançamos nessas políticas com a criação do Fundo Estadual do Idoso, de um selo de certificação para municípios e hospitais e com a criação sistemática de Centros de Convivência por todo o estado. Nosso programa de governo leva em conta o conceito de ‘envelhecimento ativo’, preconizado pela OMS, e será estruturado em quatro pilares: saúde, aprendizado, participação ativa na comunidade e proteção. Cada um desses temas está sendo desdobrado”, afirmou em nota.
Com sua popularidade ancorada nos eleitores mais jovens, criados a partir da onda verde de 2010, Marina Silva destacou uma série de projetos para os cuidados na terceira idade, como a criação de programas de tratamento de doenças crônicas comuns entre os idosos, ampliação do número de vagas em instituições de longa permanência e incentivos à adequação dos espaços urbanos para atender às necessidades dos idosos. A candidata da Rede Sustentabilidade defende ainda a inclusão produtiva dos mais velhos e diz que é necessário “definir um marco regulatório nacional para casas de repouso e asilos e, de forma participativa, um novo modelo de atenção ao idoso que contemple lazer e inclusão produtiva por meio da valorização dos laços intergeracionais”, resume em nota.
Procuradas, as assessorias de Ciro Gomes e Jair Bolsonaro se comprometeram a responder as questões enviadas pelo GLOBO, mas não se manifestaram até o fechamento desta edição.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

INSS reduzirá agendamento presencial a partir do dia 21

INSS reduzirá agendamento presencial a partir do dia 21

Por Agência Brasil
 
A partir de segunda-feira (21), o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) deixará de agendar o atendimento presencial para salário-maternidade e aposentadoria por idade urbanos. Agora, o segurado deverá acessar o Meu INSS ou ligar para o 135 e, em vez de agendar uma data para ser atendido, receberá direto o número do protocolo de requerimento, eliminando a etapa do agendamento.
Atualmente, o segurado precisa agendar uma ida ao INSS para levar documentos e formalizar o pedido. Com o novo modelo, ao fazer o pedido, o cidadão acompanha o andamento pelo Meu INSS ou pelo telefone 135 e, somente se necessário, será chamado à agência.
Agência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) – Antonio Cruz/Arquivo Agência Brasil
Nos casos em que as informações previdenciárias necessárias para o reconhecimento do direito já constarem nos sistemas do INSS, será possível então a concessão automática do benefício, isto é, a distância.
Segundo o INSS, com a mudança, não haverá mais falta de vaga e, caso precise ir a uma agência para apresentar algum documento, o cidadão terá a garantia de ser atendido perto da residência. O instituto diz ainda que a mudança representa o fim do tempo de espera para ser atendido.
Atualmente, o Meu INSS tem mais de 7 milhões de usuários cadastrados e é acessível pelo computador ou celular. O sistema, que está sendo aprimorado, conta com um canal que permite ao cidadão acompanhar o andamento do seu pedido sem sair de casa, consultar extratos e ter acesso a outros serviços do INSS.
O instituto vai ampliar cada vez mais a lista de serviços agendáveis. A partir do dia 24, serviços que antes eram prestados somente no atendimento espontâneo serão realizados com dia e horário marcados, bastando fazer seu agendamento pelo Meu INSS ou o telefone 135.
Veja a lista dos serviços que passarão a ser agendáveis:
Alterar meio de pagamento
Atualizar dados cadastrais do beneficiário
Atualizar dados do Imposto de Renda – Atualização de dependentes
Atualizar dados do Imposto de Renda – Declaração de Saída Definitiva do País
Atualizar dados do Imposto de Renda – Retificação de Dirf
Cadastrar Declaração de Cárcere
Cadastrar ou atualizar dependentes para salário-família
Cadastrar ou renovar procuração
Cadastrar ou renovar representante legal
Desbloqueio do benefício para empréstimo
Desistir de aposentadoria
Emitir Certidão de Inexistência de Dependentes Habilitados
Pensão por morte
Emitir Certidão para Saque de PIS/Pasep/FGTS
Reativar benefício
Reativar benefício assistencial à pessoa com deficiência, suspenso por inclusão no mercado de trabalho
Renunciar a cota de Pensão por Morte ou Auxílio-Reclusão
Solicitar Pagamento de Benefício não Recebido
Solicitar valor não recebido até a data do óbito do beneficiário
Suspender benefício assistencial à pessoa com deficiência para inclusão no mercado de trabalho
Transferir benefício para outra agência

A um mês da promessa de inauguração, ritmo das obras de Santa Cruz e Chácara Klabin é lento

A um mês da promessa de inauguração, ritmo das obras de Santa Cruz e Chácara Klabin é lento

Governo prometeu finalmente conectar a Linha 5 às linhas 1 e 2 em junho, mas trabalho perdeu velocidade após saída de Alckmin
Bloqueios em Santa Cruz: prazo relaxado (Metrô)
Não se pode dizer que o cenário surpreende afinal ele já é conhecido de outras épocas: político acelera as obras a fim de participar da inauguração e depois que deixa o cargo tudo volta ao normal. Ou seja, ritmo lento e previsões mais distantes. É o que se vê agora nas obras de ampliação da Linha 5-Lilás, após a saída de Geraldo Alckmin do governo do estado para concorrer à Presidência da República.
A linha hoje conta com 11 estações em horário pleno e uma em operação assistida e deve ficar completa quando ganhar outras cinco paradas até o final do ano. A ampliação crucial, no entanto, envolve as estações Santa Cruz e Chácara Klabin que finalmente conectarão a linha 5 às linhas 1 e 2 do Metrô. Com isso, estima-se que toda rede sofrerá mudanças em seu fluxo pela possibilidade de alterar alguns caminhos hoje usados – além de chegar a regiões até então não atendidas por trilhos.
Durante a abertura de Moema, em 6 abril, o governo prometeu abrir quatro estações (além das duas citadas também AACD-Servidor e Hospital São Paulo) em 60 dias, ou seja, no início de junho. Portanto, estaríamos a um mês da tão esperada inauguração, mas o que se vê nesses canteiros em nada lembra o corre-corre que presenciamos em Moema ou mesmo em Borba Gato, aberta no ano passado.
Sem a pressão eleitoral as duas estações de conexão seguem num ritmo relativamente tranquilo, de acabamento e instalação de sistemas. Imagens de abril publicadas pelo Metrô mostram os bloqueios sendo instalados em Santa Cruz, porém, detalhes como vidros da clarabóia somente nesta semana começaram a ser aplicados. É possível que haja tempo para que elas sejam finalizadas o suficiente para a inauguração mas a grande dúvida está no sistema de sinalização, o sempre lembrado CBTC, necessário para que os trens possam chegar até o final da linha.
Desde a abertura de Moema, ou seja, há exato um mês não há mais testes aos domingos e a própria estação mais nova da linha continua funcionando em horário limitado ao contrário de Eucaliptos que passou apenas 30 dias em testes.
A ironia é que as duas estações seguintes estão praticamente finalizadas há meses. AACD Servidor, por exemplo, ficou pronta muito antes de Eucaliptos e Moema e terá um impacto importante na mobilidade de pessoas que utilizam os hospitais do entorno. Porém, o Metrô optou por esperar para abri-la.
Concessão próxima
Para completar, a Bombardier, responsável não só pelo CBTC como também pelas portas de plataforma, está correndo para instalar o equipamento em Santa Cruz e Chácara Klabin que, pelo seu grande movimento, não poderiam funcionar sem esse recurso – nas demais, com exceção de Brooklin, elas seguem sem previsão.
Outra contagem regressiva que já está contando é a da concessão à Via Mobilidade, concessionária que venceu o leilão em janeiro. A empresa deverá assumir a linha no início de agosto, ou seja, em 90 dias.
A redução no ritmo das obras também pode ser vista em São Paulo-Morumbi, prometida para julho, mas que está ainda na parte civil, e também nas quatro estações restantes da Linha 15. Apesar disso, a pressão eleitoral pode fazer com que haja uma nova aceleração para acabar essas obras, isso porque o atual governador Márcio França, que é candidato a reeleição, tem até o dia 7 de julho (90 dias antes do pleito) para participar de inaugurações. Ou seja, preparem-se para a volta da correria.

Linha 5 - Mapa das Estações

Linha 5

Linha 5-Lilás: estações
Linha 5-Lilás do Metrô foi inaugurada em 20 de outubro de 2002 no trecho entre a Estação Capão Redondo e Largo Treze, na Zona Sul de São Paulo. Em 2014, foi inaugurada a Estação Adolfo Pinheiro, completando 7 estações e 9,6 km de extensão.
Atualmente, a linha está em expansão até a futura Estação Chácara Klabin, quando passará a ter 17 estações e 20 km de extensão. Em setembro de 2017 foram abertas as estações Alto da Boa Vista, Borba Gato e Brooklin, e em março de 2018 a estação Eucaliptos. As demais serão entregues durante 2018.
Quando concluída, ela fará integração com as Linhas 1-Azul2-Verde e a futura Linha 17-Ouro, também em construção.